Do Pioneirismo Elétrico à Revolução Renovável: A História da Primeira Cidade com Energia Elétrica no Brasil
Quando pensamos na chegada da eletricidade ao Brasil é natural imaginar que as grandes capitais, como Rio de Janeiro ou São Paulo, tenham liderado essa transformação.
No entanto, a história reserva uma surpresa marcante: o pioneirismo da iluminação pública no país pertence ao interior. Em 1883, Campos dos Goytacazes, no norte do estado do Rio de Janeiro, tornou-se a primeira cidade do Brasil e da América do Sul a contar com um serviço público de iluminação elétrica.
Esse marco não apenas transformou a rotina urbana da época, mas também colocou o Brasil na vanguarda da inovação tecnológica global.
Compreender como essa trajetória começou ajuda a explicar como o país se consolidou, nas décadas seguintes, como uma das maiores referências mundiais em energias renováveis e matriz energética limpa. Acompanhe.
Primeira Cidade com Energia Elétrica no Brasil: Campos dos Goytacazes

Em 1883, Campos dos Goytacazes, no interior do Rio de Janeiro, entrou para a história ao se tornar a pioneira na iluminação elétrica no país, segundo historiadores.
Já o Brasil também acabou como o 5º país do mundo a ter iluminação em vias públicas enquanto muitas nações ainda dependiam de lampiões.
A primeira central termelétrica do país, instalada em solo campista, operava com uma capacidade de 52 kW para alimentar 39 lâmpadas nas vias públicas.
Naquele momento histórico, a eletricidade era gerada a partir do vapor de caldeiras a lenha, um passo impulsionado pelo entusiasmo do imperador Dom Pedro II pelas novidades científicas da época.
Quando a energia hidrelétrica surgiu no país
Paralelamente ao uso do vapor, o país começou a explorar o potencial das suas águas.
Ainda em 1883, uma pequena usina entrou em operação no ribeirão do Inferno, afluente do rio Jequitinhonha, em Diamantina (MG), para atender a uma empresa mineradora.
Contudo, a virada de chave para a geração hidráulica em larga escala para uso público ocorreu em 5 de setembro de 1889. Ela aconteceu com a inauguração da usina de Marmelos-Zero, no rio Paraibuna, em Juiz de Fora (MG).
Idealizada pelo industrial Bernardo Mascarenhas e pelo banqueiro Francisco Batista de Oliveira, Marmelos-Zero, a usina acabou construída pela Companhia Mineira de Eletricidade. Assim como considerada a primeira usina hidrelétrica da América Latina a fornecer energia para iluminação pública.
Segundo a história, a usina iniciou suas operações com dois grupos geradores de 125 kW cada, alimentando 180 lâmpadas incandescentes em Juiz de Fora.
O sucesso da iniciativa, por outro lado, permitiu a rápida modernização da indústria regional, especialmente a têxtil.
Anos mais tarde, por sua vez, a casa de força de Marmelos-Zero acabou restaurada e transformada no Museu Marmelos-Zero. Ele permanece sob os cuidados da Universidade Federal de Juiz de Fora, preservando a memória desse patrimônio histórico.
A evolução da matriz energética brasileira e a força das renováveis

Falando da evolução da matriz energética brasileira, no entanto, vale saber que ela é bastante extensa.
A partir do aproveitamento das bacias hidrográficas ao longo do século XX, por exemplo, o país estruturou uma matriz elétrica predominantemente sustentável.
A força das águas consolidou-se como a maior fonte da matriz energética nacional, tendo como grande marco a Usina de Itaipu, inaugurada em Foz do Iguaçu em 1984 e líder mundial na produção acumulada de energia limpa e renovável.
Atualmente, o Brasil conta com uma capacidade instalada expressiva de 174.412,6 MW, onde cerca de 74,76% das usinas são impulsionadas por fontes consideradas sustentáveis.
Além da fonte hídrica, que representa mais de 60% do total da eletricidade produzida no país, segundo o Ministério de Minas e Energia, a geração nacional diversificou-se ao longo das últimas décadas:
- Energia Eólica: Em 1994, entrou em operação a primeira usina eólica conectada ao Sistema Elétrico Integrado do país, na cidade de Gouveia, no Vale do Jequitinhonha (MG).
- Energia Solar: Em 2011, o município de Tauá, no sertão do Ceará, recebeu a primeira usina solar do país.
Essa diversificação permitiu ao país transitar de um modelo dependente de térmicas a lenha para uma estrutura multi-renovável altamente eficiente.
A modernização do setor: Mercado Livre e Sustentabilidade
Por fim, vale saber que a evolução tecnológica veio acompanhada de transformações regulatórias e de mercado.
Desde a promulgação do Código de Águas em 1934 e a criação da Eletrobrás nos anos 1960, até a instituição da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 1996, o setor elétrico buscou contínuo aprimoramento.
Em 1998, a criação do Ambiente de Contratação Livre (ACL) — popularmente conhecido como Mercado Livre de Energia — trouxe uma nova dinâmica para o mercado. Esse ambiente permite que o consumidor negocie diretamente com o gerador ou comercializador de energia elétrica.
Atualmente, mais de 30% da energia gerada no país é consumida no Mercado Livre. Esse modelo impulsiona diretamente a demanda por fontes limpas, como a solar e a eólica, pois permite que as empresas escolham a origem da sua eletricidade, alinhando economia de custos a metas sustentáveis.
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