Bioenergy Summit 2026 em Campo Grande: O que o evento mostrou sobre o futuro da bioenergia
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A escolha de Campo Grande (MS) como sede do Bioenergy Summit 2026 não ocorreu por acaso. Mato Grosso do Sul combina uma das maiores forças do agronegócio nacional a uma alta disponibilidade de biomassa, tornando-se um laboratório vivo para a transição energética no Centro-Oeste.
Mais do que uma reunião do setor, os debates e estudos de caso apresentados no evento trouxeram um retrato claro de como resíduos agrícolas e industriais estão deixando de ser passivos ambientais para se tornarem ativos altamente rentáveis.
Para Tiago Fraga, CEO do Grupo FRG Mídias & Eventos, empresa organizadora do encontro, a escolha da sede foi estratégica e reflete o momento de transformação do mercado.
“Encerramos quatro dias mostrando que o Centro-Oeste não é apenas um mercado consumidor de tecnologia, mas uma região capaz de gerar projetos e negócios em diferentes frentes da transição energética. Reunir cerca de mil participantes e movimentar R$ 300 milhões em negócios demonstra que existe demanda, investimento e interesse em transformar o potencial energético de Mato Grosso do Sul em projetos concretos”, afirma Fraga.
O evento contou também com o apoio oficial da Biosul, uma das maiores usinas de etanol,milho, cana e biocombustíveis do Brasil, assim como do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul (CREA/MS).
Abaixo, analisamos os principais destaques e as tendências que devem guiar o mercado de bioenergia nos próximos anos.
1. A Revolução do Biogás e do Biometano no Campo

O aproveitamento energético de resíduos da suinocultura, pecuária e da indústria sucroenergética é hoje uma das rotas mais promissoras para a descarbonização no setor produtivo.
- Potencial em Expansão: Em Mato Grosso do Sul, cerca de 33 propriedades rurais já geram 13,4 milhões de kWh/ano a partir do biogás. O potencial estimado para o estado, no entanto, ultrapassa os 70 milhões de kWh anuais.
- Substituição do Diesel: O biometano (versão purificada do biogás) desponta como o principal combustível limpo para frotas pesadas e tratores no agronegócio. Um exemplo desse movimento é o projeto de R$ 350 milhões em Nova Alvorada do Sul voltado à produção de biometano industrial.
Eficiência e Redução de Custos na Indústria
A utilização do biogás diretamente em caldeiras para geração de vapor, dispensando o tratamento convencional, surgiu no evento como uma solução de alto impacto para a eficiência operacional. Lytton Medrado, CEO da Bazico Tecnologia, detalhou o impacto financeiro dessa aplicação:
“Hoje as indústrias estão tendo um custo em torno de R$ 110 a R$ 130 para gerar uma tonelada de vapor. Com a nossa tecnologia, estamos falando de algo em torno de R$ 45 a R$ 55, utilizando um resíduo que antes era um passivo ambiental”, explica Medrado.
2. O Crescimento Acelerado do Etanol de Milho
Outro pilar de destaque no cenário regional é a industrialização do milho para a produção de biocombustíveis. Do volume total de 5 bilhões de litros de etanol produzidos em MS, 44% já têm origem no milho, com forte presença em municípios como Dourados, Sidrolândia e Maracaju.
A projeção para os próximos anos indica novos aportes de grande porte, incluindo:
- Uma unidade industrial em Nova Alvorada do Sul com capacidade para 273 milhões de litros/ano (investimento de R$ 1 bilhão).
- Novo projeto fabril em Jaraguari projetado para 200 milhões de litros/ano (investimento de R$ 300 milhões).
3. Integração com a Geração Distribuída e Armazenamento
A expansão dos biocombustíveis caminha lado a lado com o fortalecimento da infraestrutura elétrica local. O estado já supera 2 GW de potência instalada em geração distribuída (principalmente fotovoltaica), abrangendo cerca de 150 mil unidades geradoras.
A tendência observada pelos especialistas é a integração entre sistemas solares, plantas de biomassa e sistemas de armazenamento em baterias (BESS), garantindo segurança energética e estabilidade para a agroindústria.
Foco na Descarbonização e Inovação
A programação do evento foi desenhada para abordar temas cruciais para a economia verde. Entre os principais painéis e debates programados, destacam-se:
- O aproveitamento energético de resíduos agroindustriais;
- A produção em escala de combustíveis renováveis;
- A modernização do mercado energético brasileiro;
- As novas oportunidades de investimento ligadas à transição verde.
O Avanço do Biogás e Biometano em Números

Um dos grandes destaques do encontro foi o crescimento acelerado do biogás e do biometano. O mercado brasileiro vive um momento de forte expansão, consolidando-se como uma das alternativas mais viáveis para a substituição de combustíveis fósseis.
De acordo com dados da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), o Brasil possui um potencial teórico de produção que alcança os 120 milhões de metros cúbicos diários. O país já ultrapassou a marca de 1.600 plantas de biogás em operação.
O grande salto, no entanto, está no mercado de biometano — a versão purificada do gás —, cuja capacidade instalada de produção diária projeta um crescimento superior a 350% nos próximos anos, impulsionada por novos projetos mapeados no setor.
Mato Grosso do Sul, com sua forte base agropecuária (suinocultura, avicultura e o setor sucroenergético), concentra uma fatia estratégica desse potencial.
O biometano desponta na região como peça-chave para a descarbonização das frotas pesadas do campo e das indústrias. Também transforma o que antes era passivo ambiental em um ativo econômico altamente rentável.
O que teve na programação
| Horário | Atividade / Tema | Palestrantes / Participantes | Instituição / Empresa |
| 08:30 | Credenciamento & Transmissão de Vídeos | — | — |
| 09:00 | Cerimônia Oficial de Abertura | Tiago Fraga Andrea Romera Karmouche Reginaldo Joaquim Artur Henrique Falcette Rodolpho Mangialardo Profª. Camila Ítavo | CEO Grupo FRG / Pres. WCA Vice-Presidente CREA-MS Presidente da WCA Secretário SEMADESC MS Diretor Regional SENAI MS Reitora da UFMS |
| 09:40 | Palestra de Abertura: Políticas Públicas e Regulação para o Setor de Bioenergia | Artur Henrique Falcette | Secretário SEMADESC MS |
| 10:20 | Panorama da Bioenergia em MS e Agenda Estratégica do Setor | Érico Paredes | Diretor de Sustentabilidade da BIOSUL |
| 11:00 | O Hidrogênio como Alternativa na Geração de Energia Renovável | Rodolpho Mangialardo | Diretor Regional do SENAI MS / ISI Biomassa |
| 11:30 | Produção de Biogás e Biometano a partir de Resíduos | Lytton Medrado | CEO BAZICO Tecnologia e Consultoria |
| 12:00 | Intervalo para Almoço | — | — |
| 14:10 | Mercado e Tendências para DDG ou Biobunker | Gustavo Mariano | Vice-Presidente da Inpasa Agroindustrial S.A. |
| 14:50 | Comercialização de Energia a partir da Biomassa: Mercado e Perspectivas | Leonardo Caio | Diretor Técnico e de Regulação da COGEN |
| 15:20 | Primeiro Inventário de Emissões Carbon Control de MS | José Leôncio Oliveira Eng. Cláudio Reis | Chefe Sr. Depto. SSMA/ESG Energética Santa Helena Chefe Sr. Depto. Produção Agrícola |
| 16:00 | Biochar como Alternativa no Processo Energético | João Pedro Pacheco | Atvos Bioenergia |
| 16:20 | SIC-PVDG: Redução de Diesel e Demanda por Etanol e Biodiesel no Centro-Oeste | Eng. Fabiano Santos Ferreira | Engenheiro Eletricista – ECCO SOMA |
| 16:50 | Conectividade sem Limites: Evolução da Comunicação em Operações Críticas | Edgar Takashi Yamata Alexandre Pires | Dir. Técnico Comercial (Grupo Avanzi) Dir. Comercial (Tecsuport e Novatec) |
| 17:20 | Palestra de Encerramento | Profª. Camila Celeste B. F. Ítavo Prof. João Batista S. Santos Neto | Reitora da UFMS Diretor da Agência de Inovação da UFMS |
Segundo dia de Evento
| Horário | Atividade / Tema | Palestrantes / Participantes | Instituição / Empresa |
| 09:00 | Credenciamento & Transmissão de Vídeos | — | — |
| 09:30 | Palestra de Abertura: Biometano na Prática: Modelos de Negócios e Desafios | Michael Campos | Gerente de Novot Negócios – Energisa Biogás |
| 10:00 | A Biomassa na Cogeração: Usos Industriais, Eficiência e Soluções Tecnológicas | Painel Técnico | — |
| 10:30 | Eficiência Térmica na Produção de Biogás e Biometano | Fernanda Valentim | Engª Química – Dover do Brasil / Swep |
| 11:00 | Uso do Biometano como Substituto do Diesel | Luís Felipe Colturato | Diretor de Biogás – Adecoagro S.A |
| 11:30 | Aproveitamento Sustentável de Resíduos Agroindustriais | Yuri Schmitke | Presidente Executivo da ABREN |
| 12:00 | Intervalo para Almoço | — | — |
| 14:00 | Desafios e Tendências na Geração de Energia a partir da Biomassa | Renato Maurício Tavares | Diretor Técnico do SENAI MS / ISI Biomassa |
| 14:30 | Mão de Obra: Emprego e Qualificação no Setor de Bioenergia | Tânia Costa | Gerente de Recursos Humanos – Usina Cocal |
| 15:30 | O Potencial do DDG: Produto Estratégico da Bioeconomia | Eduardo Paiva | Dir. Executivo Originação Agrícola – Cerradinho Bio |
| 15:30 | Gerenciamento de Carbono: Processos Biológicos na Mitigação Climática | Painel Técnico | — |
| 16:00 | Uso de Hidrogênio em Eletropostos de Recarga Rápida | Marcelo Fonseca Xavier | Eng. Químico / Consultor Guofuhee |
| 16:40 | Palestra de Encerramento: Vinhaça e Torta de Filtro no Biogás, Biometano e Biofertilizantes | Lytton Medrado | CEO BAZICO Tecnologia e Consultoria |
Considerações Finais
Por fim, os dados trazidos pelo Bioenergy Summit 2026 comprovam que a bioenergia deixou de ser uma promessa distante para se consolidar como uma solução rentável, sustentável e estratégica.
Para profissionais, investidores e empresas do setor elétrico e do agronegócio, acompanhar essas transformações é fundamental para identificar novas oportunidades de mercado.
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