UFLA cria fotocatalisador flutuante a partir de resíduos industriais para despoluir a água

fotocatalisador flutuante

A poluição de rios e lagos é um desafio crescente, especialmente em locais onde o acesso a estações de tratamento de efluentes é limitado.

Pensando em alternativas sustentáveis, pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA) desenvolveram um fotocatalisador flutuante feito a partir de resíduos industriais, capaz de despoluir a água contaminada com eficiência e baixo custo.

O que é um fotocatalisador flutuante?

O fotocatalisador flutuante é um material que, quando exposto à luz solar ou artificial, promove reações químicas que degradam contaminantes orgânicos presentes na água.

Ele permanece na superfície, o que aumenta a exposição à luz e ao oxigênio, acelerando o processo de purificação.

Outra vantagem diz respeito ao material. Isso porque ele pode acabar reutilizado diversas vezes, o que reduz custos e torna o método ainda mais sustentável.

Essa característica faz com que o fotocatalisador seja uma solução promissora para locais com poucos recursos ou infraestrutura limitada, por exemplo.

Tecnologia sustentável feita com resíduos industriais

A equipe da UFLA utilizou pó de aciaria elétrica, um resíduo gerado na indústria siderúrgica e rico em óxido de zinco, para produzir o composto.

O material foi combinado com bio-óleo de eucalipto e perlita expandida, um vidro vulcânico leve e de baixo custo amplamente utilizado em diversos setores.

Essa combinação resulta em um composto funcional e flutuante, que alia inovação tecnológica ao reaproveitamento de resíduos.

Assim, o processo não apenas remove poluentes da água, mas também dá nova utilidade a materiais que acabariam descartados.

Isso contribui para a economia circular e para a redução de impactos ambientais.

Resultados promissores em laboratório

Os testes realizados em laboratório mostraram que o fotocatalisador flutuante foi eficiente na degradação de corantes têxteis, como o preto remazol, comum em efluentes industriais.

O processo ocorre quando as partículas do material acabam irradiadas com luz ultravioleta ou luz solar, desencadeando reações que quebram moléculas de poluentes.

Os resultados apontam que o sistema pode facilmente acabar recuperado após o uso e reutilizado em novos ciclos de tratamento, o que representa uma alternativa econômica e sustentável para o tratamento de águas contaminadas.

Sustentabilidade e inovação integradas

A tecnologia desenvolvida pela UFLA combina inovação científica, baixo custo operacional e responsabilidade ambiental.

Além de contribuir para a despoluição da água, o projeto incentiva práticas de reaproveitamento de resíduos industriais e se alinha aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, como Água Potável e Saneamento, Indústria, Inovação e Infraestrutura e Cidades Sustentáveis.

Pesquisa com reconhecimento científico

O projeto teve início em janeiro de 2024 com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Parte dos resultados acabou apresentada na Reunião Nacional da Sociedade Brasileira de Química, em junho de 2025.

Por fim, vale pontuar que o estudo é uma continuidade de pesquisas anteriores do grupo, publicadas no periódico Journal of Photochemistry and Photobiology A: Chemistry, que já havia demonstrado o potencial do pó de aciaria elétrica em processos de fotocatálise para o tratamento de efluentes sintéticos e reais.